Filho tu não és as tuas notas!


Esta semana foram as reuniões de pais dos meus filhos. As duas à mesma hora. Organizámo-nos e cada um assistiu à sua reunião via teams. Eu assisti à da Madalena que correu super bem e o meu marido à do João.

É de louvar os professores que estão sentados em frente a um computador a falar para vários pais que têm ou não a câmara ligada, que têm de pôr em tela o que têm para mostrar sem poderem ver quem assiste. Não é fácil e eles reinventaram-se e estão a fazer um excelente trabalho. Do lado dos pais nem sempre existe empatia e procuram atacar os professores. Na reunião do meu filho que consegui assistir à última meia hora fiquei estupefacta com o que ouvi. Mães a medir os filhos no que respeita às notas e a comprar com os irmãos. Mães que castigam os filhos porque não têm boas notas. Mães que criticam por tudo e por nada os professores. Após as reuniões estivemos a conversar sobre tudo e foram algumas as reflexões.

[Empatia] - Será que é assim tão difícil pormo-nos no lugar do outro em vez de o criticar? Os professores nunca tiveram tarefa fácil e com a pandemia têm feito de tudo para ultrapassar os desafios que surgem diariamente. Não existe perfeição. Existem seres humanos que se esforçam todos os dias para serem melhores professores com os recursos que têm.

[Valor] - Os nossos filhos não são as notas que tiram. Eles são mais do que isso, muito mais. Valorizar os nossos filhos pelas notas que tiram é o mesmo que lhes estar a dizer que só têm valor se tiverem “X” nota. Errar ou tirar más notas faz parte do nosso crescimento. Vamos continuar a castigar os nossos filhos pelas más notas? Se em vez disso formos curiosos e saber o que aconteceu? O que é o nosso filho pode fazer diferente para melhorar o resultado [ninguém gosta de tirar negativas/errar, ninguém!] Que aprendizagens podemos tirar? Resignificar o erro é assumir a responsabilidade pelo que aconteceu. Por aqui funcionamos assim. Sempre que alguém erra [porque todos erramos] conversamos sobre o que aconteceu sem julgamentos. O que importa é que sabermos que cada um tem o seu valor mesmo que falhe. Quando castigamos os nossos filhos estamos a ferir a sua autoestima e a “criar” crianças que se tornarão adultos inseguros, adultos que se sentem inferiores e que se compram constantemente, adultos que se sentem culpados, que se julgam constantemente e adultos que acham que para receber amor têm de ser perfeitos e que têm de fazer de tudo para agradar aos outros. É isto que queremos?

Costumo dizer-lhes [aos meus filhos] que todos temos valor. Que todos temos algo de especial e único. Uns são artistas, outros são top em matemática, outros agarram numa caneta e escrevem textos maravilhosos, outros são cómicos, etc., cada um com a sua habilidade. Cada um tem o seu valor. E todos temos algo para dar ao mundo.

Sem esquecer que tudo o que tu dizes ao teu filho será a sua voz interior em adulto. Lembra-te de quantas vezes tens de aprender a lidar com a tua criança interior que está cheia de cicatrizes por curar e que ainda doem.

Boa semana e boas histórias!


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